MAGAZINE SOUJAR

domingo, 19 de maio de 2013

Ex-mecânico da Varig cria fabricante de aviões experimentais



Apaixonado por aviação, o gaúcho Jocelito Wildner, 48, já serviu à Força Aérea Brasileira, foi mecânico da Varig, piloto de ultraleve e construiu planadores.
Há cinco anos, com a ajuda financeira de amigos, deu início à Wega, fabricante de aviões experimentais (voltados ao lazer). Com oito modelos produzidos, a fábrica participou de uma feira internacional em abril e atrai o interesse de investidores.
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Minha paixão por aviação vem desde criança. Cresci em uma fazenda em Ijuí (RS), neto de colonos alemães e italianos. Meu pai era projetista de máquinas agrícolas para indústrias da região.
Tivemos uma infância humilde. Sem dinheiro para comprar brinquedos caros, eu e meu irmão, Ênio, fabricávamos nossas próprias bicicletas, de madeira. Acho que parte desse interesse vem do sangue --dizem que os alemães são mecânicos natos.
Também construímos uma espécie de asa-delta de madeira para pular de cima de galpões. Na primeira tentativa, nos esborrachamos no chão. Tomamos a maior bronca de meu pai e desistimos.
Aos 18 anos, fui para Santa Maria (RS) prestar o serviço militar na Força Aérea Brasileira. Quando terminei, me mudei para Porto Alegre para fazer um curso de robótica. Já sabia que queria trabalhar com aviões.
Débora Klempous/Folhapress
Jocelito Wildnder, ex-mecânico da Varig e criador da Wega
Jocelito Wildnder, ex-mecânico da Varig e criador da Wega
Acabei passando em um concurso para entrar para a escola de mecânica da Varig em Porto Alegre, em 1986. Na época, a empresa era conhecida pela qualidade de seu serviço de manutenção.
Fiquei dois anos trabalhando como mecânico lá, até que amigos me chamaram para ajudar em uma indústria de equipamentos médicos que estavam montando.
Sabiam que gostava de projetar e me pediram para desenhar algumas máquinas de hemodiálise. Mas vivíamos o período da hiperinflação e o negócio não foi para a frente.
MUDANÇA
Foi quando resolvi ir morar em uma ilha. Me mudei para Florianópolis em 1993 e comecei a voar de ultraleve, após concluir um curso de piloto. Durante sete anos, vivi disso, levando turistas para voos panorâmicos sobre as praias da cidade.
Em um desses passeios, em 2000, conheci um francês louco por aviação como eu.
Ele queria construir um planador. Tinha um projeto e o dinheiro, mas precisava de alguém para construir. Topei a empreitada. Arrumamos um galpão, desenhei as formas das peças, treinei gente para trabalhar comigo.
Em cinco anos, conseguimos produzir 12 unidades e vender para o exterior.
Mas era muito difícil. Gastávamos US$ 70 mil para fazer e era uma briga para conseguir vender a US$ 30 mil.
Em 2005, fui à França fazer um serviço de manutenção de um desses planadores, que durou 45 dias.
Aluguei um motor-home em um camping e, à noite, comecei a desenhar meu avião. Decidi que era a hora de colocar esse sonho de pé.
De volta ao Brasil, me debrucei sobre os livros de construção aeronáutica. Tive sempre uma frase na cabeça, do projetista Joseph Kovacs, criador do Tucano, da Embraer: 'Juntando as melhores partes de cada avião você vai construir um bom avião'.
Por isso, busquei os melhores fornecedores para cada peça do aeronave. As hélices vêm da Alemanha, onde se fabricam as melhores hélices. Os motores, dos Estados Unidos, e assim por diante.
Contei com a ajuda de amigos e do meu irmão. Eles compraram os três primeiros aviões e pagaram antecipadamente, para que eu usasse o dinheiro na produção. Investimos R$ 1,5 milhão.
MÃO NA MASSA
Desde o início da empresa, em 2006, trabalhei todos os dias nesse projeto. Entrava às 8h e saía às 23h, 24h.
Hoje já reduzi o ritmo de trabalho, saio às 22h. Aos sábados, para descansar, vou para o aeroclube pilotar.
Coloco mesmo a mão na massa. A estrutura do avião sou eu que faço, a partir de insumos importados. Opero a máquina de solda e construo a parte elétrica. Apesar de a mão de obra ser treinada, estou de olho em tudo.
Levou um ano para o primeiro avião ficar pronto, em 2010. Hoje, já entregamos três e temos cinco em produção.
Há investidores interessados na empresa, batizada de Wega. Quero fabricar aeronaves SLA [leve esportiva], que podem ser usadas para algumas atividades comerciais.
Nos últimos anos, a Fiesc [federação das indústrias de Santa Catarina] se interessou pelo projeto. Com a ajuda deles, conseguimos voar com nossos aviões para uma feira do setor, na Flórida, em abril.
Foram mais de 50 mil quilômetros, entre ida e volta, com oito paradas por trecho. A aeronave voa a 350 km/h, uma velocidade acima da média para a categoria.
Foi um voo tranquilo. Vimos paisagens lindas, como o mar do Caribe e a floresta Amazônica. Senti que realizava um sonho.
Os negócios na feira também foram ótimos. Saímos de lá com duas encomendas engatilhadas. Agora, quero continuar melhorando o nosso produto para competir com os melhores do mundo.

sábado, 11 de maio de 2013

terça-feira, 30 de abril de 2013

Classe executiva Varig

PR VAC Classe Confort

Executiva Varig

Talheres da executiva Varig

Executiva varig


Refeição executiva Varig em 2005

Classe Confort Varig GRU/EZE

Café da Manhã classe Confort

segunda-feira, 22 de abril de 2013




sexta-feira, 12 de abril de 2013

Aposentados da Varig, sete anos de agonia


Fundo de pensão está sob intervenção desde 2006. Oito mil podem deixar de receber benefício em junho
DANIELLE NOGUEIRAdanielle.nogueira@oglobo.com.br
RAFAEL MORAES

O ex-comissário da Varig Paulo Resende mostra carteira de
associado do Aerus: dívida para pagar contas


O Aerus (fundo de pensão de empresas do setor aéreo, entre elas a Varig) completa hoje sete anos de intervenção judicial. São 22 mil pessoas que contribuíram com o fundo para ter um futuro digno e que desde 2006, quando foi decretada a intervenção, não recebem o que lhes é devido. A pior situação é a dos 8.170 participantes do chamado plano 1 da Varig, que só têm asseguradas suas aposentadorias até junho. Muitos contraíram dívidas para pagar contas básicas, como telefone e luz, e dependem de parentes e amigos para custearem tratamentos de saúde.

A esperança para essa legião de aposentados e pensionistas é que duas ações que correm na Justiça tenham decisões favoráveis a eles. Uma delas está com o presidente do Superior Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, desde fevereiro. Nela, sindicatos e associações do setor pedem que a União assuma o pagamento das aposentadorias. A ação foi ajuizada em 2004 e teve o seu pedido de tutela antecipada reconhecido dois anos depois. Após longa discussão jurídica, o STF condicionou, em 2010, a aplicação da tutela à decisão de primeira instância. Isso aconteceu em julho de 2012, quando o juiz Jamil Oliveira, da 14ª Vara Federal de Brasília, proferiu sentença favorável aos aposentados, mas a Advocacia Geral da União (AGU) derrubou a decisão em outubro, o que fez o caso voltar ao STF.





PROTESTO NA CINELÂNDIA
A outra ação tem como autor o próprio Aerus. O fundo pede que o governo federal assuma o pagamento ao fundo de pensão da taxa de 3% que incidia sobre a venda de passagens domésticas nacionais. Essa taxa era uma das fontes de recursos do Aerus quando ele foi criado, em 1982. As outras eram os trabalhadores e as empresas patrocinadoras, das quais Varig e Transbrasil eram as principais. A taxa, que seria válida até 2012, foi revogada nos anos 90 pelo antigo Departamento de Aviação Civil (DAC) — hoje o setor é regulado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Estima-se que o pagamento retroativo some R$ 7 bilhões. A ação foi indeferida em primeira instância e está no Tribunal Federal Regional de Brasília. Os aposentados fazem hoje protesto na Cinelândia, no Rio, para chamar atenção para sua causa.

— Quando o fundo foi criado, a base atuarial considerava a taxa de 3%. De uma hora para outra, isso nos foi retirado. Estamos cada vez mais longe de tudo o que construímos — diz Thomaz Raposo, presidente da Associação dos Participantes e Pensionistas do Aerus (Aprus). Além da extinção da taxa, as contribuições da Varig escassearam. Até que, em 2005, a aérea entrou em recuperação judicial e foi dividida em duas. A parte boa foi vendida em 2006 à sua ex-subsidiária VarigLog — então controlada pelo fundo americano Matlin Patterson — e, no ano seguinte, à Gol.

A parte podre, rebatizada de Flex, teve a falência decretada em 2010, deixando dívida com o Aerus de R$ 3 bilhões. Nesse meio tempo, a Varig fez 21 renegociações de dívida com o fundo. Todas aprovadas pela antiga Secretaria de Previdência Complementar, hoje Previc, ligada ao governo federal. Por isso, o juiz Jamil Oliveira entendeu que a União deve assumir os benefícios.

— Em 12 de abril de 2006 começou o drama, foi o dia fatídico. Passei a receber 70% do que recebia, e hoje recebo pouco mais de 10%. É uma tragédia silenciosa — lamenta o ex-comissário da Varig Paulo Resende, de 64 anos, que contribui com o Aerus desde 1983.

Casado e pai de dois filhos que ainda vivem com ele, Resende recebe R$ 592 mensais, mas deveria receber R$ 4.716. Do INSS ganha ainda R$ 3.400 por mês, mas quase R$ 1 mil estão comprometidos com empréstimos consignados (com desconto em folha). Tem também dívidas com o Banco do Brasil e com o Itaú-Unibanco, contraídas para quitar contas atrasadas.

Para dar sobrevida ao Aerus, seus interventores reduziram o pagamento devido aos participantes a partir de 2006. Dos 22 mil, 17 mil são ex-funcionários da Varig, herdeiros ou cônjuges. Quem está no plano 1 da Varig recebe, em média, 10% do valor que deveria receber. Os aposentados do plano 2 recebem cerca de 60%, segundo José Pereira, interventor do fundo. Se todos os participantes recebessem o que lhes é devido, a folha atingiria o patamar de R$ 23 milhões mensais.

O desdobramento em dois planos foi feito em meados dos anos 90. A diferença é que, no plano 1, o contribuinte sabia quanto ia receber no futuro. No plano 2, o benefício poderia variar de acordo com o rendimento das aplicações. Apesar de mais arriscado, as 9.190 pessoas do plano 2 estão em melhor situação. Há garantia de pagamento até 2015.

LIQUIDAÇÃO DO FUNDO À VISTA
Segundo Pereira, a previsão de fim de pagamento para o plano 1 era abril, mas ele conseguiu vender algumas ações e dar fôlego aos participantes por mais dois meses. O interventor tem mais algumas ações e dois imóveis que, se forem vendidos, poderiam ampliar a sobrevida do plano 1 até o fim de 2013, e a do plano 2, até 2016. Depois disso, o pinga- pinga cessa de vez.

— Já estamos avaliando liberar o dinheiro de uma só vez e liquidar alguns planos.

FÁBIO ROSSIBolognese. Amigos
ajudam nos gastos
com saúde


O ex-comissário da Varig José Carlos Bolognese, de 65 anos, é outra vítima da derrocada da aérea. Ele contribuiu com o Aerus por 20 anos, até 2002, quando se aposentou. Deveria receber R$ 4.800 mensais, mas apenas R$ 930 são depositados em sua conta a cada mês. Do INSS, recebe ainda R$ 1.600 por mês, insuficientes para pagar o plano de saúde. Sua mulher se acidentou e rompeu o ligamento de um dos joelhos. Só consegue ir às sessões de fisioterapia porque amigos se dispuseram a arcar com os custos.

—A Varig quebrou, e os trabalhadores é que pagam o pato — queixa-se Bolognese. l