MAGAZINE SOUJAR

terça-feira, 28 de setembro de 2010

SERÁ A BOLA DA VEZ?

Após cancelar mais de 50% dos voos de hoje até meio-dia, a Webjet emitiu um comunicado oficial para explicar o ocorrido. Segundo a companhia, os cancelamentos foram motivados por fatores como o crescimento da demanda de passageiros em setembro e o cumprimento da lei nº 7.183, que obrigou a aérea a reduzir o número de voos desta semana.


Aeronave da WEBJET em Confins ainda no esquema antigo
COMUNICADO DA WEB JET
“Em função da sua política de preços competitivos, a Webjet vem crescendo expressivamente nos últimos meses. Em virtude disso, tem contratado novos profissionais para atender essa alta da demanda. Neste momento, a título de exemplo, estão sendo treinados 64 novos co-pilotos e 85 comissários, que estarão em atividade a partir de outubro. Nos últimos três meses, portanto, foram incorporados 149 novos colaboradores à tripulação da Webjet.

O forte crescimento dessa demanda em setembro levou a empresa a remanejar passageiros por meio de contatos antecipados via call center. Vale destacar que 90% deles foram avisados previamente, evitando deslocamentos desnecessários até os aeroportos. Ainda assim, a companhia foi obrigada a reduzir o número de voos na última semana de setembro para cumprir a lei nº 7.183, que regula os limites de trabalho dos aeronautas.
A soma desses fatores provocou problemas localizados em alguns aeroportos nesta segunda-feira. Para solucionar essa situação cinco medidas estão sendo tomadas:
1ª) Reacomodação dos passageiros em voos da própria Webjet;

2ª) Reacomodação em voos de outras companhias aéreas;

3ª) Isenção total das taxas de remarcação normalmente aplicadas;

4ª) Reembolso das tarifas pagas pelas passagens;

5ª) Fretamento de aeronaves.
Todas essas medidas estão em conformidade com a Resolução 141 da Anac.”

sábado, 11 de setembro de 2010

VELHA VARIG AINDA RESPIRA

A falência da velha Varig (atual Flex), decretada há menos de um mês, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A Corte, ao analisar um recurso da Fundação Ruben Berta - controladora da empresa, com 87% dos papéis da Flex -, concedeu o que juridicamente se chama de efeito suspensivo à falência, até que o mérito do pedido que contesta a quebra seja julgado. Na prática, a companhia aérea volta ao status de empresa em recuperação judicial, pois o próprio tribunal já havia suspendido o encerramento da recuperação, determinado em setembro do ano passado pela primeira instância da Justiça do Rio.


Além desse recurso, o TJ-RJ recebeu um outro agravo que contesta a falência, de autoria do presidente da Associação dos Pilotos da Varig, Elnio Borges Malheiros, também credor da companhia. Nos dois casos, as partes apontam irregularidades, tanto na recuperação quanto na falência. Mas o principal argumento para tentar anular a quebra seria o de que o administrador judicial não teria poderes para requerer a autofalência. Segundo o advogado que representa o presidente da associação, Otávio Neves, do escritório Bezerra, Neves e Costa Advogados, somente a assembleia-geral de acionistas da empresa teria poder para decidir pelo pedido judicial de falência.

Neves afirma que a ideia dos recursos é buscar a regularização do processo da Varig, que estaria repleto de questões "surreais" e que passaram em meio ao turbilhão da recuperação judicial. O segundo passo seria buscar o ressarcimento pelos prejuízos causados pelo próprio processo de recuperação. Segundo ele, o relatório do administrador judicial que deu causa à falência informa que a dívida inicial da Varig seria de R$ 8 bilhões e hoje estaria em cerca de R$ 17 bilhões. Além disso, o relatório, dentre outros pontos, noticia que os balanços patrimoniais dos exercícios de 2006 a 2009 da empresa não foram encerrados, por falta de documentação. Também informa que os relatórios necessários à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nunca foram encaminhados à autarquia.

O presidente do Conselho Curador da Fundação Ruben Berta, Osvaldo Cesar Curi de Souza, afirma que a entidade não concorda com a falência por entender que sequer houve recuperação na companhia. "A empresa não tem balanço, não há informação econômica adequada", diz ele, acrescentando que é necessário se ter essas informações. A partir das decisões do Tribunal de Justiça, segundo ele, a Fundação decidirá quais outras medidas tomará.

A falência da Flex e de duas outras empresas do grupo - Rio Sul Linhas Aéreas e Nordeste Linhas Aéreas - foi decretada em agosto pela juíza Márcia Cunha de Carvalho, em exercício na 1ª Vara Empresarial do Rio. Segundo a Justiça fluminense, a decisão foi tomada em razão de pedido do próprio administrador e gestor judicial, que informou que as companhias em recuperação desde 2005 não teriam como quitar seus débitos. A Varig velha, primeira companhia a pedir recuperação judicial no país, saiu do procedimento por decisão do Judiciário, em setembro do ano passado, sem ter solucionado suas dívidas.

domingo, 5 de setembro de 2010

O ABANDONO DO PATRIMÔNIO DA VASP


O QUE RESTOU DA VASP

O saudades da varig consguiu registrar em Maceió um pouco do que foi a VASP - Viação Aérea São Paulo.
Trata-se de um dos prédios a ser leiloado para pagamento de dívidas que abrigou uma agência da VASP e da VASPEX.
A VASP foi a empresa que mais teve rotas de e para Maceió, sua falência trouxe muitos prejuízos para o turismo e progresso de Alagoas.
Outdoor com fone da Central de Reservas da VASP

Placa da VASP da época que ainda era dona da LAB - Loyd Aero Boliviano

Vista frontal da agência da VASP

Av. na Ponta Verde onde se encontrava a VASP

Placa com os horários de atendimento da Agência


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A LENDÁRIA PINTURA DA VARIG


A LENDÁRIA PINTURA DA VARIG PERMANECEU EM ALGUMAS AERONAVES ATÉ O FINAL DOS ANOS 90. NA FOTO ACIMA O BOEING 767.341ER (PP-VOI), NO AEROPORTO DE BARAJAS (MADRI), EM 08 DE SETEMBRO DE 1995.


Na década de 70, chegaram os primeiros jatos 727-100, 737-200 e DC-10-30, que foram introduzidos nas rotas intercontinentais da empresa. Já na década de 80 recebeu seus primeiros 747-200 que primeiramente foram colocados nas rotas para Nova Iorque, Los Angeles e Tóquio. A Varig foi a única companhia aérea brasileira a operar o Jumbo.
Nos anos 90 a empresa começou a adquirir novas aeronaves, como os Boeing 737-300, 767-200ER, 767-300ER e MD-11, para substituir os modelos mais antigos, como os Electras II da ponte aérea, os 727-100 e os quadrirreatores 707. Nesta época a empresa lança suas novas rotas: Orlando, Washington, Atlanta, Hong Kong e Bangcoc.

BOEING 737.800 (SÉRIE 8EHW), PREFIXO PP-VBF, FABRICADO EM 2008, AQUI FOTOGRAFADO NO AEROPORTO INTERNACIONAL DE BRASÍLIA EM 11.04.2010 (CRÉDITO FOTO: FERNANDO TOSCANO)


Entre 2005 a VARIG transportou 13.268.869 passageiros, obtendo a 2ª posição no período, no Brasil, caindo para 3º em 2006. Ainda em 2005 a empresa voou 275.484 horas em 196.263.251 quilômetros à média de 712 km/hora. A empresa, agora controlada pela GOL, cancelou, no início de 2008, suas rotas para Londres, Roma e Frankfurt e planeja, em breve, cancelar também as para Paris, Madri e Cidade do México, se concentrando seus esforços na América do Sul e rotas internas já que os vôos transcontinentais não estavam lucrativos e ainda há o risco da liberação das tarifas, o que diminuiria a margem das empresas principalmente em função com as grandes concorrentes européias (Ibéria, British Airways, Air France, Alitália, KLM, Lufthansa, TAP Air Portugal, etc).

A VARIG HOJE:

A VRG Linhas Aéreas S.A., que opera a marca VARIG, foi adquirida em abril de 2007 pela GOL Linhas Aéreas Inteligentes S.A. (GLAI), holding controladora da GOL Transportes Aéreos. Em 2008, ainda operando separadamente e apenas em rotas no Brasil e América do Sul, a empresa obteve bons números: 20 aeronaves (01 Boeing 767.300, 10 Boeing 737.800 e 09 Boeing 737.700), 164.755 horas voadas, 104.906.362 quilômetros voados - a uma velocidade média de 637 km/h, 8.717.299 passageiros transportados, 188.565.999 toneladas quilômetros de carga transportada e 103.457 voos realizados, se consolidando como a 3ª maior empresa brasileira naquele ano. Até 15 de junho de 2010 a companhia já contava com mais 03 Boeing 767.300, totalizando 23 aeronaves (04 B767.300, 01 B767200, 09 B737.800 e 09 B737.700). A GOL vem utilizando seus Boeing 767 em voos internacionais para o Caribe (veja mais detalhes sobre a VARIG no texto sobre a GOL).

O BOEING 737.800 (SÉRIE 8ASW), PREFIXO PR-VBC, ENTROU EM SERVIÇO NA EMPRESA EM 10.11.2007 - AQUI FOTOGRAFADO, EM ARACAJU (SE), EM 14.03.2010, POR FERNANDO TOSCANO (PORTAL BRASIL).

BOEING 767-300 PR-VAB DECOLANDO DE LONDRES

terça-feira, 24 de agosto de 2010

NÃO TEM MAIS SALVAÇÃO

Cláudio Magnavita




Ao decretar a falência da Viação Aérea Rio Grandense, da Rio Sul e da Nordeste Linhas Aéreas, a Justiça do Rio não escreveu o último capitulo da história que envolveu a recuperação judicial da antiga Varig e das suas duas co-irmãs. Na verdade, ao definir a morte das três empresas, acabou por tirá-la de um limbo jurídico que vinha se arrastando desde que se encerrou o prazo da recuperação judicial há um ano.



Na prática, o fim das três empresas é uma demonstração do fracasso da última versão do plano de recuperação judicial, que foi aprovado pelos credores e que deveria fazer surgir uma geração de receita. O plano foi feito de forma acordada, quando o fundo norte-americano MatlinPatterson já havia realizado um empréstimo de antecipação de recebíveis e aparecia como última chance para a companhia aérea. Ele previa a empresa remanescente voaria inicialmente com uma aeronave fretada por quem comprasse os ativos operacionais. Haveria também a geração de receita com o centro de treinamento, aluguéis dos imóveis e uso das estações de rádio.



O plano foi criado em poucos dias e se tratou de uma peça de ficção. As receitas previstas dificilmente se materializariam, mesmo que a nova empresa de fretamento tivesse uma frota de quatro aeronaves. Com uma, então, não tinha como dar certo.



O “fantástico” plano, porém era necessário para aprovação da venda da unidade operacional da velha Varig. Não haveria venda dos ativos da aérea (rotas e instalações operacionais) sem que os credores tivessem uma fórmula de recuperar seus créditos. Não houve nem tempo de analisar os números apresentados apenas na assembleia. Tudo foi feito apenas para compôr o ritual de venda.



É importante lembrar que isso ocorreu após o afastamento dos acionistas majoritários da três empresas, a FRBPar, que, por determinação expressa da Justiça do Rio, ficaram até hoje afastados da gestão dos seus patrimônios, sem direito de opinar sobre o destino das três empresas. A partir deste momento, toda a responsabilidade passou a ser judicial.



A venda dos ativos operacionais da Varig foi realizada para a empresa VarigLog, já controlada pelo fundo MatlinPatterson. Foi criada a VRG Linhas Aéreas e aí os problemas começaram.



A compradora, por ironia, a VarigLog está hoje em recuperação judicial. Foi também alvo de uma disputa societária pesada. Houve inclusive a burla do CAB (Código Aeronáutico Brasileiro), confessada nos autos do processo da disputa, com o fim de extrapolar o limite dos 20% da participação estrangeira. Fora o festival de denúncias envolvendo o advogado Roberto Teixeira, que chegou a respingar na então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, alvo de acusação da ex-diretora da Anac, Denise Abreu. Tudo isso acabou em depoimentos no Senado.



A falência da antiga Varig, há menos de 40 dias das eleições e no momento em que um dos personagens listados na confusão, mesmo que involuntariamente, concorre à presidência da República, poderá reabrir um assunto que parecia sepultado.



Nesta ciranda de problemas e de negócios mal explicados, a VRG foi vendida depois para a Gol que herdou as responsabilidades assumidas na assembleia de vendas, entre elas, a de manter a empresa remanescente, a Flex (como foi rebatizada a Nordeste) operando.



Este foi o princípio do fim. A “boa vontade” da VRG com a Flex chegou a levar até o Sindicato dos Aeronautas a interagir e a pressionar para que o fluxo financeiro fosse mantido. A nova empresa, que era a alma do plano para pagamento dos credores, foi tratada a conta-gota. Não cresceu, não ocupou seu espaço na geração de receita em voos domésticos e de longo curso, como estava previsto no plano. A inanição foi consequência do desprezo de quem deveria lutar para manter o plano vivo. O curioso é que o lava-mãos ocorreu, por coincidência, exatamente quando foi afastado, em última instância, o risco da sucessão trabalhista da velha Varig para a VRG.



A figura dos acionistas majoritários permaneceu fora do processo todo este tempo. Só no final, quando o calendário apontava o fim da recuperação judicial, é que eles foram chamados para reassumir a empresa remanescente. Como poderiam aceitar a gestão de um espólio fadado ao colapso?



A decretação da falência das três não é um fim. Na realidade, será o principio de um embate, já que literalmente as três empresas saem de um limbo, nas quais foram colocadas com o afastamento de seus acionistas e com a própria Justiça do Rio assumindo em 100% a responsabilidade da implementação de um plano de recuperação.



A falência da três empresas é o fracasso do primeiro grande caso da lei de recuperação judicial do qual a Varig foi a cobaia. O que pode ser apontado como grande saldo positivo resume-se a negócios que foram realizados de forma tortuosas e doloridas. A venda da VEM e da VarigLog realizada pelos “notáveis”, a nova venda da própria VarigLog - burlando o código aeronáutico -, o colapso da primeira operação da VRG com a briga dos sócios brasileiros com o fundo americano, as pressões de advogados ligados ao Planalto para favorecer os compradores e, finalmente , a venda da VRG à Gol com o bloqueio judicial das ações dadas como pagamento de uma legião de trabalhadores que ficaram sem receber suas indenizações rescisórias. Uma enorme quantidade de aeronautas e aeroviários tiveram de reiniciar suas carreiras com salários aviltados e sem que se respeitasse a antiguidade para efeito de promoções e o que é mais grave: o maior credor privado do espólio da Varig, o fundo de pensão Aerus, falido e levando milhares de pessoas a viverem uma dramática velhice sem receber o que lhes era devido.



Com a falência, o Aerus passa para o fim da fila, ou seja, serão priorizadas as dívidas tributárias, as trabalhistas e só depois os credores privados. Essa etapa abre um processo doloroso de ajuste de contas e caberá a cada um dos protagonistas explicar porque o plano de recuperação não deu certo. E também questiona-se: quem será o síndico da massa falida? Como ficarão os encontros de contas das ações do ICMS e da defasagem tarifária? Não são só os acionistas afastados que esperam uma resposta, mas os milhares de associados do Aerus, que foram levados a acreditar nas promessas realizadas nas emocionantes assembleias de credores. Essas falências não assinalam o fim, mas o começo de uma história que precisa ser explicada. E muito bem explicada!



Cláudio Magnavita é presidente da Aver Editora e da Abrajet (Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo).